Antes que o Sol se Ponha Sobre o preço do trabalho, o direito à pedra que se lavrou e o edifício que ninguém vê terminar Por Hiran de Melo Existe uma dívida que a noite não perdoa. Não é dívida de ouro, nem de terra, nem de nome. É a dívida do dia — o salário do que foi feito com as próprias mãos, sob o mesmo sol que se põe tanto sobre quem paga quanto sobre quem recebe. "Pagar-lhe-ás no mesmo dia o preço do seu trabalho antes do sol posto." Assim manda a Lei antiga a quem constrói. E talvez seja esta, mais do que qualquer coluna, mais do que qualquer esquadro, a primeira pedra do Grau 8. Porque antes de ensinar sobre autoridade, sobre hierarquia, sobre quem governa a Obra, o Intendente dos Edifícios é chamado a olhar para baixo — para o pobre que ergueu o muro e ainda não recebeu, para o estrangeiro que mora dentro de tuas portas e não tem a quem recorrer senão a ti. Um grau que começa falando de reis e conselheiros de Salomão, e termina falando do jornaleiro que...
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O Intendente e a Obra Inacabada Por Hiran de Melo Há momentos na vida em que percebemos que já não basta aprender. Chega um tempo em que o conhecimento adquirido nos coloca diante de uma responsabilidade maior: a de ajudar outros a caminhar. Talvez seja esse um dos sentidos mais profundos do Grau de Intendente dos Edifícios. Até aqui, o iniciado aprendeu a reconhecer a pedra, a medir, a julgar, a distinguir o certo do errado, a compreender que toda construção exige disciplina e que nenhuma obra se sustenta sem fundamento. Mas chega um momento em que o homem deixa de olhar apenas para a pedra que está diante de si e passa a perguntar: Quem está conduzindo a construção? E, mais ainda: Que tipo de homem estou me tornando enquanto construo? O Grau 8 parece nos colocar exatamente nesse lugar. O Intendente não é apenas aquele que supervisiona uma obra. Ele é aquele que começa a compreender que toda obra exterior é, de alguma maneira, uma revelação daquilo que existe...
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Justiça com Amor Quando o coração segura a balança Por Hiran de Melo Há uma justiça que pesa. E há uma justiça que cura. A primeira mede os atos. A segunda alcança as intenções. A primeira pergunta: "Quem errou?" A segunda pergunta: "Como podemos restaurar aquilo que foi ferido?" Vivemos em um tempo em que julgar se tornou um hábito e compreender tornou-se uma virtude rara. Condenamos com rapidez, rotulamos com facilidade e, muitas vezes, esquecemos que toda pessoa carrega uma história que desconhecemos. Talvez seja por isso que o Grau 7 do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grau de Preboste e Juiz, continue tão atual. Ele nos recorda que a verdadeira Justiça começa muito antes de julgarmos o mundo. Ela nasce quando encontramos coragem para olhar para dentro de nós mesmos. O primeiro tribunal é a própria consciência. Antes de sermos juízes do irmão, somos chamados a ser aprendizes de nós mesmos. Essa talvez seja uma das maiores lições da tradição i...