Construtores da Esperança
Por Hiran de Melo – TVPM da Excelsa Loja de Perfeição Paz e
Amor, gestão 2025/2026
O Chamado para Fora do Templo
Olhamos
para o mundo e vemos que as feridas da sociedade estão abertas. Não basta ter
boas intenções ou apenas falar palavras bonitas. A nossa fé só é verdadeira
quando ela sai do papel e se transforma em atitude, corpo e presença no dia a
dia.
O Trabalho com a Pedra Bruta
Ser
maçom é ter a coragem de recomeçar sempre, como um jovem que não desiste. O
nosso verdadeiro trabalho acontece fora do Templo, no canteiro de obras da vida.
Lá, a pedra bruta nos desafia a agir com justiça, a dar dignidade aos outros e
a proteger quem está mais fraco.
A Esperança como Ferramenta
A esperança não é um sonho bobo ou ficar
esperando o tempo passar. Ela é como a âncora de um navio: ela nos segura no
que é mais importante para não sermos levados por qualquer onda. Ter esperança
é uma escolha difícil e lúcida, que exige olhos bem abertos e mãos prontas para
o trabalho.
Do Ritual para a Ação
Não
queremos brilhar acima de ninguém; queremos iluminar junto com os nossos irmãos.
Nosso ofício não é para enfeite, mas para dar testemunho de que somos
responsáveis uns pelos outros. Dar o pão é preciso, mas também precisamos
transformar o sistema que causa a fome.
O Novo Templo da Fraternidade
O
nosso saber deve virar serviço; a nossa espiritualidade deve virar presença. Que
os nossos símbolos não fiquem adormecidos, mas despertem na coragem de ajudar
quem precisa. Unindo a razão com a fé, seremos um sinal vivo de que um mundo
mais humano e justo é possível de construir.
Plano de Ação: "Solidariedade
Encarnada"
Para
que esta exortação não seja apenas "o refúgio das palavras", seguem 5
ações práticas baseadas nos pilares do texto e que podem ser implementadas nas
lojas simbólicas as quais os irmãos estejam filiados:
1. Transformar o "Forno da Fome":
Além de doar cestas básicas, a Loja pode apoiar ou criar uma oficina de
capacitação profissional (como panificação ou marcenaria) para jovens da
comunidade, atacando a causa da miséria. Pode fazer isso em parceria com o SINAI,
Club Rotary, dentre outras instituições.
2. Justiça Restauradora e Escuta:
Criar um "Círculo de Escuta" mensal, onde irmãos se dispõem a ouvir e
orientar jovens em situação de vulnerabilidade, oferecendo suporte afetivo e
mentoria(*). Compreendendo a mentoria como a fraternidade em
movimento, onde o mentor não domina, mas serve como guia para que novos
horizontes de esperança sejam criados.
3. Proteger a Fragilidade Alheia:
Adotar uma instituição local (como um asilo ou orfanato) não apenas para
doações financeiras, mas para visitas regulares de "presença
criadora", realizando pequenos reparos físicos no local.
4. Educação como Coluna de Esperança:
Organizar mutirões de reforço escolar ou palestras sobre ética e cidadania em
escolas públicas, transmitindo o conhecimento como "chama viva".
Testemunho da Responsabilidade:
Implementar um projeto de "Justiça Real" na vizinhança da Loja, como
a revitalização de uma praça ou espaço comum, mostrando que o labor do maçom
embeleza o mundo ao redor.
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(*) A mentoria, no
contexto do labor maçônico e social proposto, é uma forma de presença
criadora onde o conhecimento não é guardado como um "adorno", mas
transmitido como uma "chama viva" para orientar o outro. Baseado nos
princípios de solidariedade encarnada e responsabilidade, a mentoria pode ser
entendida como: Apoio à Fragilidade:
É o ato de se colocar ao lado de quem precisa, protegendo a fragilidade
alheia através da experiência compartilhada. Escuta e Acolhimento:
Trata-se de oferecer uma "escuta" ativa, transformando o saber
iniciático em um serviço que ajuda a moldar espaços onde o humano seja
valorizado. Guia na "Pedra
Bruta": É auxiliar o próximo no desafio de esculpir sua própria vida com
justiça e dignidade, servindo como um ponto de apoio (âncora) no que é
essencial. Liderança pelo
Exemplo: Não é "brilhar acima", mas "iluminar junto",
agindo como um testemunho vivo de que é possível unir a razão e o mistério
para edificar um mundo melhor. Vocação para Servir:
É assumir a responsabilidade de ser um "sinal de esperança",
orientando o irmão esquecido para que ele volte a ser sujeito da sua própria
história. |

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